Lucas Torrezani de Oliveira foi julgado no Fórum Criminal de Vitória pela morte do músico Guilherme Rocha
Lucas Torrezani de Oliveira foi julgado no Fórum Criminal de Vitória pela morte do músico Guilherme Rocha. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória e Redes sociais

O ex-soldado da Polícia Militar Lucas Torrezani de Oliveira, que matou o músico Guilherme Rocha, a 30 anos de prisão por homicídio qualificado e a 2 anos de detenção por abuso de autoridade pelo júri realizado nesta quarta-feira (20), no Fórum de Vitória. O crime aconteceu em um condomínio em Jardim Camburi, Vitória, em 17 de abril de 2023. 

A decisão foi anunciada por volta das 23h20, após julgamento que se estendeu por cerca de 12 horas. A pena deve ser cumprida em regime fechado. O réu também foi condenado ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais e custas processuais.

O Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo a decisão, Lucas Torrezani utilizou a condição de policial militar para intimidar Guilherme durante uma discussão provocada por reclamações de barulho no condomínio.

Durante o julgamento, os promotores Rodrigo Monteiro e Bruno de Oliveira sustentaram as provas produzidas ao longo da investigação e da instrução processual que embasaram a condenação.

“Esta condenação reforça que crimes dessa natureza não podem ficar impunes. O resultado não vai trazer a vítima de volta, mas traz à família o conforto de que a Justiça foi feita”, afirmou o promotor Rodrigo Monteiro.

Ex-PM disse que não tinha intenção de matar músico

Lucas foi ouvido e afirmou não ter tido a intenção de matar o músico. Ele falou por cerca de uma hora e meia e negou a intenção de matar o músico. O ex-PM afirmou que se quisesse assassinar Guilherme, teria feito um disparo mais letal, como na região do peito ou da cabeça.

Segundo ele, o fato de ter atirado no braço do músico já é um indicativo de que não tinha nenhuma intenção de matá-lo, apenas impedir que Guilherme se aproximasse dele.

A esposa de Guilherme e a síndica do condomínio, que testemunhou o caso também foram ouvidas.

Por meio de uma nota encaminhada à imprensa e obtida pelo Folha Vitória, a defesa afirmou que a motivação atribuída ao acusado “não corresponde à integralidade dos fatos apurados ao longo da instrução criminal”.

Segundo a defesa, o caso ganhou grande repercussão e passou a ser associado a uma suposta motivação fútil. Na época, o ex-soldado afirmou que agiu em legítima defesa.

Entretanto, as imagens mostraram que o músico não reagiu. A família da vítima afirma que espera a condenação máxima de Lucas Torrezani, sendo esse “o mínimo da Justiça”.

Família realizou manifestação por justiça

A família de Guilherme Rocha realizou, às 19h30 desta terça-feira (19), um ato em homenagem ao músico na praça pública de Jardim Camburi, em Vitória.

Durante o encontro, amigos e familiares prestaram homenagens por meio da música e pediram justiça pelo caso.

Vítima foi morta após reclamar de som alto 

Na época do crime, foi descoberto que a vítima foi morta após reclamar com o vizinho sobre o som alto. Segundo o processo, Guilherme Rocha chegou a conversar com o então PM para encerrar uma festa no hall do prédio.

Por volta das 2 horas, o músico novamente pediu para que o tom das conversas diminuísse, porque a família não conseguia dormir, mas não foi atendido.



source https://www.folhavitoria.com.br/policia/ex-pm-que-matou-musico-em-vitoria-e-condenado-por-homicidio-qualificado/